O Príncipe que voa



Depois de tantas experiências na vida, de amores felizes e também tragédias amorosas, tinha certeza que a paz e as paixões gostosinhas e calmas seriam imperiosas em minha vida. Mas nada está sob nosso controle e o amor prega peças que nos viram do avesso. Eu já sou chegada a um avesso na vida, porque seguindo Drummond, também sou "gauche". Mas cansa sabe? Levantar bandeiras, lutar por espaços e diretos, desbravar um jeito peculiar de pensar e me impor na vida, me fazem nadar contra a corrente o tempo inteiro e descobri que não tenho braço para isso. Só queria um colo, um chamego mais fácil, do tipo que te acolhe e diz que vai dar tudo certo, "eu to aqui".

Eu gosto do avesso, não tem jeito. Bastou eu ver um sujeito rindo alto, mostrando os dentes branquíssimos e com os olhos vivos, para eu despertar o maior sentimento de amor da face da terra. Ele se destacou da normalidade que sempre me entediou. E lá vamos nós, viver uma aventura fantasmagórica, uma real montanha russa de emoções, porque ele não é casado, mas é livre demais para se enquadrar a sonhos romanticos tradicionais.

Eu disse no fundo "ainda bem", mas as pernas tremem só de pensar no quanto eu preciso mudar para ser feliz do seu lado. Afinal, uma das minhas bandeiras era que não deveríamos mudar por causa de ninguém né? A diferença que me salva de minhas próprias causas é que eu concordo com essa mudança, eu quero, eu busco por elas a minha vida toda e agora encontrei um bom incentivo para tal. 

Ele me faz resgatar meus ideais românticos e o chamo de príncipe, sem pudor algum. Só que não existe cavalo branco, mas uma moto quebrada, uma bike azul, o metrô e muita sola de sapato para tantas caminhadas. É gentil, doce e amoroso, apesar de esconder isso fazendo cara de mal nas fotos. A marra termina nas lágrimas que já sequei dele, por muitos motivos que o fizeram me mostrar que em sua caixa torácica tem um coração e não uma pedra. 

No começo eu agradeci, porque acreditei que mesmo sendo tão complexo, era fácil viver uma história de amor com um cara desses. Solteiro, livre, aberto as possibilidades e experiências sim, mas desapegado demais, arisco, muitas vezes imaturo e incapaz de distinguir amor verdadeiro de um gostoso sexo casual. O medo de amar, a disponibilidade exagerada de possibilidades e paixões, com um fomento por novas aventuras, vão o afastando cada vez mais dos meus sonhos romanticos psicodélicos, mas ainda assim nunca deixou de ser meu príncipe.

Os caminhos sinuosos e as pessoas mais complexas são meu elixir da felicidade e estou aqui, diante dele, com as mesmas pernas bambas da adolescência e sem saber o que fazer, o que falar, com chegar ou me mostrar tao interessante quanto acredito ser.  O que abriu portas que julgavam estarem lacradas, de onde saíram fantasmas e demônio s da insegurança, da baixa estima, do medo e outros sentimentos que não combinam com quem eu acredito ser.


. , me encantando pelos caminhos mais sinuosos e as pessoas mais complexas, porque viver não pode ser tão fácil assim. 






E como eu gosto do avesso, estou com as pernas bambas ao ver meu príncipe nada convencional. Ele não chegou de cavalo branco, mas tinha uma moto e agora anda de bike, metrô ou a pé mesmo. O sujeito gosta de dar gargalhadas altas, mostrando os dentes branquíssimos e desenhados, fala umas coisas engraçadas, anda de um jeito meio marrento, meio amalucado, mas é surpreendentemente tímido e fica ruborizado quando a gente fala algo sobre ele. Às vezes, ele deixa a mostra que o seu coração não é tão de pedra assim e escorre umas lágrimas em seus olhos. 

Eu o chamo de príncipe sem nenhuma cerimonia. Joguei para o alto as normalidades, a necessidade de fingir costumes e parecer difícil ou inoperante, como pontua nossa atual geração. Eu to apaixonada sim, meu coração degringola até hoje quando escuto sua voz e juro que vou ter um derrame de tanta ansiedade. Meus olhos brilham por ele, mesmo quando meus amigos dizem que não é para tanto. 






  Um homem sério e forte, senhor absoluto de seu destino, mas um menino com medo de agulha. Enquanto minha boca saliva de desejo e os mais ardentes pensamentos tomam conta de mim, dá vontade de puxar ele para um abraço e garantir que estarei sempre do seu lado, aconteça o que tiver que acontecer.

O amor e a paixão são sentimentos distintos. Enquanto a paixão nos joga na fogueira, o amor nos arranca a cabeça na guilhotina. Não há escapatória, estamos sempre a beira do abismo. Eu poderia amar um cara comum, que me ofereceriam uma certa segurança, mas lá vou eu enlouquecer pelo peixe ensaboado que está sempre em busca de aventuras.

Mas é sendo expectadora de seu carisma, do quanto é desejado, invejado, admirado e copiado, que mora parte dos motivos de tanto amor. A liberdade que exala pelos seus poros me encanta de um jeito que nem sei explicar. É como se sua presença em minha vida apertasse um botão para içar minha poltrona para outro planeta. Ele me faz voar e é emergencial sair do chão.

Ele tem uma rosa encravada em seu coração, de uma docilidade estarrecedora. Eu vejo em seus olhos tantas histórias, demônios e sentimentos, como se mergulhasse em águas profundas e densas. Ele me faz transgredir, me rasgar inteira e debulhar cada pedacinho de terapia que achei ter tido alta.

Entre nós dois não cabem rótulos, nem qualquer conselho que nos leve a sanidade. Não queremos isso, ambos buscamos transbordar. Mas ainda dissonantes em nossas composições, cada um no seu quadrado. Perplexa permaneço diante de nossa distância, mas ansiosa por cada momento de sua existência em minha vida.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog