Amor platônico é hoje conhecido como um sentimento
não correspondido, cuja conexão afetiva extrapola o desejo sexual e se torna algo
etéreo e quase inalcançável. Ou quando é recíproco, não é vivenciado em sua
plenitude, apesar da forte conexão íntima e espiritual, não se materializa da
forma mais objetiva. Dessa forma, pode gerar dores, sentimentos de
incapacidade, culpas, tristezas pela não concretização dos sentimentos.
O termo foi usado no século XV pelo filósofo Marsílio
Ficino, como sinônimo de amor socrático, onde os sentimentos são centrados na
beleza do caráter e da inteligência, em oposição a paixão que advém dos
atributos físicos.
O filósofo Platão se referiu a esse tipo de amor em
seu livro “O Banquete”, ao exemplificar o amor entre dois homens, cujo afeto ia
além de qualquer atividade sexual ou mesmo romântica. No livro, Eros Vulgar e
Eros Divino mostram as facetas do amor, cuja materialidade e mera atração
física, se opõe a conexão com o espírito, que designa o ser amado com uma
beleza suprema.
Porém, Eros Vulgar e Eros Divino se conectam e fazem
parte do processo de busca do próprio eu. Eros é em si, um movimento de transcendência,
que rompe com a barreira do possuir, para o do ser, tornando o amor não só um
desejo físico de concretização, mas como algo que não precisa de materialidade
e nem posse para existir.
Já no livro de William Davenant, “Platonic Lovers”,
o termo se aproxima mais de como é conhecido nos tempos atuais. Nele, a
descrição do amor é voltado para o bem, levando o individuo ao resgate das virtudes
do ser amado e na dedicação em trazer a ele a felicidade e bem estar.
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